sábado, 2 de junho de 2012

Branca de Neve

Antes que você pedisse, arranquei o meu coração e te dei de presente em uma caixinha de joias. Seus doces olhos mudaram e ficaram frios enquanto você, a mais bela de todas, pegava a joia que eu te dei para preparar um delicioso banquete.

Hoje não tenho mais coração nem piedade, então espero que esse amor que você mastigou tenha te causado uma enorme indigestão.

#chatiada

Um agradável devaneio perturbava minha mente. Ele percebeu, porém, que a correria da vida banal me ocupava e decidiu não esperar.

Foi-se embora e nem deixou um bilhete. Mal educado!

quinta-feira, 31 de maio de 2012

Querida Alice,

Espero que esteja bem acordada, vou te contar o sonho que tive. Parece um pouco com o seu mas tem uma diferença gritante: eu estava acordada enquanto sonhava. O meu sonho acabou quando me deitei para dormir.

Tudo começou numa terra mágica: Varekai. Aqueles que viajam para esse lugar sempre dizem: "todo mundo vai, e você?". Lembra que já conversamos sobre essa frase? Lembra que ficamos querendo saber quem era todo mundo? Então, é verdade. Todo mundo vai. Todos os mundos, o seu inclusive.

Lá estavam vários amigos meus. Lewis Carroll (sim, o seu pai!) era o organizador. Ele e os seus súditos do País das Maravilhas estavam realizando a maior Festa do Chá que já presenciei. Tolkien trouxe os trovadores, as músicas élficas e os hobbits (os melhores festeiros de todos os mundos). C. S. Lewis ficou encarregado do cenário. Trouxe árvores, animais falantes e talvez uma certa feiticeira tenha vindo junto. É óbvio que Martin estava na área de climatização. Dava pra sentir que o inverno estava para chegar. Rowling não deu as caras, acho que foi com uma capa da invisibilidade, mas sua mágica era bem visível. Riordan chegou no meio da festa falando de mitos como sempre. O da vez era Ícaro.

O que me chamou atenção não foi o fato deles estarem juntos. O engraçado é que, geralmente, só eu os vejo, de longe, de camarote. Em Varekai não. Eles me viam e sorriam para mim. Os trovadores passavam pela minha frente e eu resistia à tentação de ir atrás deles que nem os ratos que seguiram o flautista de Hamelin.

Alguns atiravam pipoca nos outros... Claro, numa boa Festa do Chá tem que ter arremesso de comida (e de xícaras, de pessoas pelo ar, de malabares).

Juro pra você, querida Alice, que passei duas horas e meia sem piscar os olhos, ainda que algumas lágrimas teimassem em embaçar o meu espetáculo (você sabe que sempre choro em espetáculos). Falando em olhos, eu desejei ter, no mínimo, oito. Varekai não é um mundo homogêneo. Cada ser que lá habita é um mundo.

Pois é, minha querida. E há quem critique os nossos devaneios, mas só a gente sabe o quanto eles são reais.


quarta-feira, 30 de maio de 2012

Isso tem nome?

Quase 600 quilômetros de distância, é verdade, mas eu só te peço uma coisa: apaga um pouco a tua luz para que eu possa dormir.

É que tenho medo. Medo de ser atraída por essa luz que nem um inseto e acabar morrendo.

Não me leve a mal. Era só pra te falar o quanto dói ter que deixar nós pra depois, mas acho que minhas lágrimas já dizem tudo.


segunda-feira, 28 de maio de 2012

UFRB

Cursei um semestre de Jornalismo e só (2011.1). Deixei o curso, nem cheguei a trancar a matrícula, e não me despedi de ninguém; seria muito doloroso.

É, talvez a minha decisão de não me despedir tenha mudado tudo. Saí de lá, mas a UFRB continua lotando minha caixa de e-mails (recebo mais e-mails dela do que minha atual universidade), a cada dia que passa eu conheço mais pessoas de lá, e é só passar Cachoeira na televisão que meu pai grita: "vem ver tua cidade".

Saí, abandonei o espaço físico. Mas não me perguntem qual é o curso que eu faço porque eu responderei "Jornalis... Direito" e darei um sorriso amarelo. Não me peça sugestões de música que eu passarei uma hora falando sobre a Banda Monarque e te farei gostar do samba da Escola Pública. Não fale de rios perto de mim que eu começarei a devanear sobre como é bonito ver o Paraguaçu entre as cidades irmãs. Enfim, não me faça ter mais saudades.

Ainda fazem brincadeiras comigo do tipo "mas você é jornalista, deveria saber desse acontecimento". Eu não respondo nada, fico só saboreando a frase. "Você é jornalista". Não, não sou. Parem de me tentar.

Entendo perfeitamente os motivos pelos quais as pessoas levantam bandeiras contra o Enem. Mas foi graças a essa prova que eu conheci algumas das melhores pessoas que já passaram na minha breve vida. Amigos, amores, meio-amores, não-amores... Doidos, lúcidos, músicos, poetas.

Todos os dias eu te redescubro, UFRB. Todos os dias você me surpreende. E ainda dizem que eu te deixei... Até parece.

sábado, 26 de maio de 2012

"Eu não quero ver você chorar veneno"

Tenho nesse exato momento um bom motivo pra escrever. A faca e o queijo na mão. Mas não consigo, não sai, travei. Nunca me aconteceu isso antes, pelo menos não dessa forma.

Sinto ódio. É isso. Ódio não me inspira.

O que aconteceu? A minha melhor amiga, uma das pessoas que eu mais quero bem nesse mundo, foi ofendida pela simples condição de ser mulher. Usando as palavras dela: a estupraram sem sequer tocarem nela, a estupraram de anúncio, violentaram a sua identidade de mulher.

 A dor sim aceita os lirismos, mas o ódio não. O ódio só aceita minha revolta e o nó da minha garganta.

Olha, meu leãozinho, eu queria que você soubesse que, se tivesse como, eu viraria homem e gritaria para aqueles filhos da puta: CHUPA AQUI PRA VER SE SAI LEITE! Pois é, eu e toda a minha delicadeza.

Sim, leãozinho, eu viraria um leãozão pra te proteger. Um leãozão de um metro e meio, vestidinho, cabelos arrumados, maquiagem muito bem feita, e sandalhinha rasteira. Porque poucos enxergam de primeira a força que está por trás de uma aparência "frágil" assim.

sexta-feira, 25 de maio de 2012

Orgulho nerd


Vejo muita gente perguntando em tom de deboche: orgulho de que?

Ah, meus queridos, orgulho de muita coisa. Orgulho de ter me tornado mais criativa, mais sábia, mais paciente. Orgulho de ter aprendido a perder, a ganhar, a respeitar. Orgulho de ter aprendido uma segunda língua só para ler esses livros na versão original.  Orgulho das piadas internas, do vocabulário novo, das amizades que fiz.

Orgulho de ter começado a escrever porque tenho um sonho de publicar um livro e colocá-lo na minha estante ao lado desses aí de cima.

Orgulho dos melhores professores que já tive.